Índice

 

*      Introdução

*      Biografia

*      Teoria Psicossocial do desenvolvimento

*      1ª Idade: Confiança básica Versus Desconfiança básica

*      2ª Idade: Autonomia Versus Vergonha e Dúvida

*      3ª Idade: Iniciativa Versus Culpa

*      4ª Idade: Diligência Versus Inferioridade

*      5ª Idade: Identidade Versus Confusão/Difusão

*      6ª Idade: Intimidade Versus Isolamento

*      7ª Idade: Generatividade Versus Estagnação

*      8ª Idade: Integridade Versus Desespero

*      Ego

*      Críticas e Controvérsias

*      Erikson Versus Freud

*      Conclusão

*      Bibliografia

 


 

Introdução

 

O âmago deste trabalho reside na teoria psicanalítica contemporânea de Erik Erikson. Esta teoria de ênfase dinâmica, também conhecida por teoria psicossocial enquadra-se no vasto quadro das teorias da personalidade. Em traços gerais é de se matizar que a personalidade é um conceito de índole dinâmica, global que vai entrosar com solidez factores biológicos específicos, como o temperamento e o carácter, apelando ao mesmo tempo para a unicidade e diferenciação do indivíduo e que

 

«[…] as  teorias da personalidade são tentativas de formular ou representar aspectos significativos do comportamento dos indivíduos e que a produtividade dessas tentativas deve ser julgada principalmente em termos de quão efectivamente elas servem como um estímulo para a pesquisa». (Calvin S. Hall; Gardner Lindzey; John B. Campbell, 2000: p.44)

 

O trabalho inicia-se com uma abordagem biográfica do douto seguindo-se o debruçar sob a sua teoria. Nesta, Erikson propõe uma concepção de desenvolvimento em oito estágios psicossociais, perspectivados por sua vez em oito idades que decorrem desde o nascimento até à morte, pertencendo as quatro primeiras ao período de bebé e de infância, e as três últimas aos anos adultos e à velhice.

          Na abordagem das etapas do desenvolvimento psicossocial de Erikson, daremos sem contudo olvidar as restantes, uma maior atenção à 5ª Idade (Identidade versus Confusão), pois como teremos oportunidade de confirmar o erudito prezava muito este estágio devido a ser uma fase fulcral na construção da identidade.

Cada estágio é atravessado então por uma crise psicossocial entre uma vertente positiva e uma negativa, não sendo necessário perspectivar o termo crise com dramatismo, visto o mesmo servir

 

«[…] para designar um ponto decisivo e necessário, um momento crucial, quando o desenvolvimento tem de optar por uma ou outra direcção, escolher este ou aquele rumo, mobilizando recursos de crescimento, recuperação e nova diferenciação».(Erikson, Apud., Manuela Monteiro; Milice Ribeiro dos Santos, 2001: p.35)

Daremos ainda enfoque a pontos como o ego, críticas e controvérsias e por fim reservamos um ponto intitulado por Erikson Versus Freud, com vista a uma melhor compreensão dos ímpetos de cada um.

 

Biografia

 

Erik Erikson nasceu a 15 de Julho de 1902, no início do século em Frankfurt, na Alemanha. Filho de pais Dinamarqueses, mas abandonado à nascença pelo pai, foi educado por Theodor Homburger, um pediatra Judaico-Alemão, que pensava ser o seu verdadeiro pai.

          Em 1927, Erikson enveredou pela docência, tornando-se a convite de um antigo colega de escola, professor numa escola que se distinguia pelo seu estilo muito progressivo. Neste local Erikson teve a oportunidade de ensinar, não só as matérias convencionais, mas algo que muito lhe agradava como a pintura, o desenho e a história de diferentes culturas como a Índia e a esquimó.

 Durante este período da sua vida Erikson começou a relacionar-se com a família Freud, muito especialmente com Anna Freud, com quem iniciou psicanálise e com quem ganhou o gosto do estudo da infância.

          Em 1930 publicou o seu primeiro artigo e em 1933, após completar a sua formação como psicanalista, foi eleito para o instituto de psicanálise de Viena. Também em 1933 emigrou para os Estados Unidos onde iniciou a prática da psicanálise infantil em Boston, associando-se à faculdade de medicina de Harvard.

          A partir desta altura Erikson começou a preocupar-se com o estudo da forma como o Ego ou a consciência operam de forma criativa em indivíduos considerados sãos.

          Em 1936, Erikson abandonou a universidade de Harvard para trabalhar no Instituto de Relações Humanas de Yale. E em 1938 deu inicio aos seus primeiros estudos sobre as influências culturais no desenvolvimento psicológico, estudando crianças Índias no Pine Ridge Reservations.

          Erikson faleceu em Maio de 1994. (Diciopédia 2004, 2003)

 

Teoria Psicossocial do Desenvolvimento

 

Na Teoria Psicossocial do Desenvolvimento, o desenvolvimento evolui em oito estágios. Os primeiros quatro estágios decorrem no período de bebé e da infância, e os últimos três durante a idade adulta e a velhice.

Erikson dá especial importância ao período da adolescência, devido ao facto ser a transição entre a infância e a idade adulta, em que se verificam acontecimentos relevantes para a personalidade adulta.

Cada estágio contribui para a formação da personalidade total (princípio epigenético), sendo por isso todos importantes mesmo depois de se os atravessar. Como cada criança tem um ritmo cronológico específico, não se deve atribuir uma duração exacta a cada estágio. O núcleo de cada estágio é uma crise básica, que existe não só durante aquele estágio específico, nesse será mais proeminente, mas também nos posteriores a nível de consequências, tendo raízes prévias nos anteriores.

Erikson apresentou os estágios em termos de qualidade básica do ego que surge em cada estágio, discutiu as forças do ego que surgem nos estágios sucessivos e descreveu a ritualização peculiar de cada um. Esta era por ele referido como uma maneira lúdica e culturalmente padronizada de experienciar uma vivência na interacção quotidiana de uma comunidade. (Calvin S. Hall; Lindzey Gardner; John B. Campbell, 2000: p.168)

A formação da identidade inicia-se nos primeiros quatro estágios, e o senso desta negociado na adolescência evolui e influencia os últimos três estágios.

Temos então oito estágios de desenvolvimento:

 

1ª Idade: Confiança Básica Versus Desconfiança Básica

 

Nesta idade a criança vai aprender o que é ter ou não confiança, esta está muito relacionada com a relação entre o bebé e a mãe. A confiança básica é demonstrada pelo bebé na capacidade de dormir de forma pacífica, alimentar-se confortavelmente e de excretar de forma relaxada. (Calvin S. Hall; Lindzey Gardner; John B. Campbell, 1998: p.169) Devido à confiança do bebé e à familiaridade com a mãe, que adquire com situações de conforto por ela proporcionadas, atinge uma realização social, que consiste na aceitação em que ela pode ausentar-se e na certeza que ela voltará.

O bebé ganha experiência no contacto com os adultos, aprendendo a confiar e a depender deles, assim como a confiar em si mesmo.

A desconfiança básica é a parte negativa deste estágio, que é equilibrada com a segurança proporcionada pela confiança.

 «A razão adequada de confiança e de desconfiança resulta na ascendência da esperança: “A esperança é a virtude inerente ao estado de estar vivo mais primitiva e a mais indispensável"». (Erikson, Apud., Calvin S. Hall; Lindzey Gardner; John B. Campbell, 2000: p.170) Todas as confirmações desta formam-se a partir da relação entre a mãe e o bebé. À medida que o bebé vai adquirindo experiência, ele aprende que as esperanças que um dia eram prioridades, deixam de o ser, sendo superadas por outras de um nível mais elevado.

Este estágio é o da ritualização da divindade, na medida que opera o senso do bebé da presença abençoada da mãe, ao o olhar, tocar, no fundo em reconhecê-lo. São interacções pessoais e culturalmente ritualizadas; a falta do reconhecimento pode trazer alienação na personalidade do bebé, um senso de abandono e separação. A forma pervertida do ritual da divindade materna expressa-se na vida adulta pelo idolismo, em que a pessoa idolatra um herói.

 

2ª Idade: Autonomia Versus Vergonha e Dúvida

 

Durante este estágio a criança vai aprender quais os seus privilégios, obrigações e limitações. Há por ela, uma necessidade de auto-controle e de aceitação do controle por parte das outras pessoas, desenvolvendo-se um senso de autonomia. O versus negativo deste estágio é a vergonha e a dúvida quando perde o senso de auto-controle, os pais contribuem neste processo ao usarem a vergonha na repressão da teimosia.

A vontade tem origem na própria vontade treinada e no exemplo dado de vontade superior apresentado pelos outros, esta é responsável pela aceitação progressiva do que é permitido e necessário. Os elementos desta são progressivamente aumentados pelas experiências ao nível da consciência, manipulação, verbalização e locomoção.

A ritualização deste estágio é judiciosa, a criança julga-se a si e aos outros, diferenciando o certo do errado e as pessoas ditas diferentes, formando-se a base ontogenética da alienação humana, a espécie dividida, que Erikson designou como pseudo-espécie, a origem do preconceito humano. O ritualismo perverso é o legalismo, em que a punição vence a compaixão.

 

3ª Idade: Iniciativa Versus Culpa

 

          Relativamente ao terceiro estágio estipulado por Erikson, equivale ao estágio psicossexual genital-locomotor, é o da iniciativa. Uma era de crescente destreza e responsabilidade.

          Nesta fase a criança encontra-se nitidamente mais avançada e mais organizada tanto a nível físico como mental. É a capacidade de planejar as suas tarefas e metas a atingir que a define como autónoma e por consequência a introduz nesta etapa.

           No entanto este estágio define-se também como perigoso, pois a criança busca exaustivamente e de uma forma entusiasta atingir as suas metas que implicam fantasias genitais e o uso de meios agressivos a manipulativos para alcançar a essas metas.

          Ela encontra-se num estado de ansiedade porque quer aprender bem e a partir daqui amplia o seu sentido de obrigação e desempenho. A sua principal actividade é o brincar e o propósito é a virtude que surge neste estágio de desenvolvimento. Este chamado propósito define-se como o resultado do seu brincar, das suas tentativas e dos seus fracassos.

 Para além dos jogos físicos com os seus brinquedos ela constrói também os chamados jogos mentais tentando imitar os adultos e entrando no mundo do faz de conta. O objectivo deste jogo é tentar perceber até que ponto ela pode ser como eles.

          O poder da imaginação e a forma desinibida como o faz é fulcral para o desenvolvimento da criança.

«O propósito, então, é a coragem de imaginar e buscar metas valorizadas não inibidas pela derrota das fantasias infantis, pela culpa e pelo medo cortante da punição ». (Erikson, Apud., Calvin S. Hall; Lindzey Gardner; John B. Campbell, 2000: p.172)                                                                                                           Esta terceira idade, também apelidada por idade de brincar é assinalada pela ritualização dramática.

 

4ª Idade: Diligência Versus Inferioridade

 

Nesta fase a criança necessita controlar a sua imaginação exuberante e dedicar a sua atenção à educação formal. Ela não só desenvolve um senso de aplicação como aprende as recompensas da perseverança e da diligência.

O prazer de brincar, o interesse pelos seus brinquedos são gradualmente desviados para interesses por algo mais produtivo utilizando outro tipo de instrumentos para os seus trabalhos que não são os seus brinquedos.

Também neste estágio existe um perigo eminente que se caracteriza pelo sentimento de inferioridade aquando da sua incapacidade de dominância das tarefas que lhe são propostas pelos pais ou professor.

 

 

Ao longo deste estágio da diligência desponta a virtude de competência, isto porque os estágios anteriores proporcionaram uma visão, embora que não muito nítida, mas futura em relação a algumas tarefas. Nesta fase ela sente-se pronta para conhecer e utilizar os instrumentos e máquinas e métodos para desempenhar o trabalho adulto, trabalho esse que implica responsabilidades como ir à escola, fazer as tarefas de casa, aprender habilidades, de modo a evitar sentimentos de inferioridade.

«A competência, então, é o livre exercício da destreza e da inteligência na conclusão de tarefas, não-prejudicado pela inferioridade infantil». (Erikson,Apud., Calvin S. Hall; Lindzey Gardner; John B. Campbell, 2000: p.172)

«O ritualismo distorcido na idade adulta é o formalismo, que consiste na repetição de formalidades sem significado e em rituais vazios». (Calvin S. Hall; Lindzey Gardner; John B. Campbell, 2000: p.173)

 

5ª Idade: Identidade Versus Confusão/Difusão

 

Como já foi referido na introdução, o quinto estágio ganha contornos diferentes devido à crise psicossocial que nele decorre, ou seja, Identidade Versus Confusão. É de relembrar que o termo crise não tem neste contexto uma acepção dramática, visto tratar-se de a algo pontual e localizado com pólos positivos e negativos,

 

«[…] uma mudança decisiva, um momento agudo de desequilíbrio. A noção está portanto associada às noções da continuidade ou da descontinuidade do desenvolvimento, e à própria validação do conteúdo dos estádios». (Roland Doron; François Parot, 2001: p.196)

 

Esta 5ª idade localiza-se usual e aproximadamente dos 12 aos 18/20 anos, ou seja, na adolescência, puberdade, precisamente na idade em que na vertente positiva, o adolescente vai adquirir uma identidade psicossocial, isto é, compreende a sua singularidade, o seu papel no mundo.

Não se pode encarar os diferentes estágios como estanques isolados, logo as fases anteriores irão deixar marcas que vão influenciar a forma como se vivência esta crise, desembocando uma perspectiva histórica na qual o adolescente se vai perceber e integrar elementos identitários adquiridos nas idades anteriores (Manuela Monteiro; Milice Ribeiro dos Santos, 2001: p.38). Exemplo deste parágrafo é a identidade, que se forma numa continuidade e une as diferentes transformações num processo cumulativo de desenvolvimento.

Neste estágio os indivíduos estão recheados de novas potencialidades cognitivas, exploram e ensaiam estatutos e papéis sociais, devido à sociedade fornecer este espaço de experimentação ao adolescente. É neste âmbito que ressalta um dos conceitos eriksonianos que ajuda a conferir tanta relevância a este estágio, ou seja, a moratória psicossocial.

 

«Esta moratória é um compasso de espera nos compromissos adultos. É um período de pausa necessária a muitos jovens, de procura de alternativas e de experimentação de papéis, que vai permitir um trabalho de elaboração interna». (Manuela Monteiro; Milice Ribeiro dos Santos, 2001: p.56)

 

Sendo assim o adolescente antecipa o seu futuro, explora alternativas, experimenta, dá um tempo. As necessidades pessoais, as exigências socioculturais e institucionais caracterizam a moratória. Segundo o site www.agirweb.com.br/psic/amac/amac.html,

 

«As complicações inerentes ao desenvolvimento da identidade nas sociedades modernas tem criado um espaço necessário para a reflexão e o exercício de diversos papéis antes da finalização deste processo. […]. Nas sociedades modernas isto é dado principalmente na escola onde os adolescentes podem pensar seriamente sobre os seus planos para o futuro, sem fazerem escolhas irreversíveis».

 

Um grande número de adolescentes, tem uma evolução incompleta por terem entrado excessivamente rápido na vida adulta, sem um amadurecimento interior, que só poderia ter sido facultado por uma boa vivência neste estágio e nos seus diferentes aspectos.

 «Embora a construção da identidade se realize ao longo do ciclo da vida, constitui uma tarefa específica desta idade» (Manuela Monteiro; Milice Ribeiro dos Santos, 2001: p.38). Eis um outro ponto que confere bastante importância a este estágio, visto que é neste que se dá a construção da identidade, o sentimento da identidade, o qual é conforme Erikson «[…] o sentimento de ser o mesmo ao longo da vida, atravessando mudanças pessoais e ocorrências diversas». ( Apud. Manuela Monteiro; Milice Ribeiro dos Santos, 2001: p.55) A identidade dá assim um sentido histórico à existência, a qual se constrói tendo por base as representações feitas sobre nós, bem como as interacções e os confrontos entre as representações que os outros fazem de nós e as que nós fazemos de nós próprios. «O agente interno activador na formação da identidade é o Ego, em seus aspectos conscientes e inconscientes». (Calvin S. Hall; Gardner Lindzey; John B. Campbell, 2000: p173) O ego neste estágio tem a peculiaridade de apurar e inteirar talentos, aptidões e habilidades na identificação com pessoas semelhantes a nós e na acomodação ao ambiente social. A chave para a resolução da crise de identidade que pode fazer com que o adolescente se sinta isolado, vazio, ansioso e indeciso, reside assim, na interacção com pessoas significativas, que são escolhidas e são parte integrante da construção da sua identidade adulta.

Segundo o site já referido os problemas no desenvolvimento da identidade podem culminar numa identidade difusa, caracterizada por «[…]uma noção do eu incoerente, desarticulada e incompleta», numa identidade bloqueada, caracterizada pela «[…] não permissão do período normal de moratória por questões sociais, familiares e/ou pessoais» e finalmente numa identidade negativa, em que «O adolescente selecciona identidades que são indesejáveis para a família e sua comunidade».

O versus negativo menciona os aspectos, sentimentos relacionados à confusão/difusão de quem ainda não se descobriu a si próprio, e não sabe o que pretende, tendo dificuldade em optar.

É de se referir que nesta idade emergem um conjunto particular de valores a que Erikson denominou por fidelidade: «A fidelidade é a cacidade de manter lealdades livremente empenhadas, apesar das inevitáveis contradições dos sistemas de valor» (Apud., Calvin S. Hall; Gardner Lindzey; John B. Campbell, 2000: p.173), assim como, na recta final da adolescência é que se obtém uma “identidade realizada”, igualmente conhecida por identidade adquirida.

Para findar refiro que a ritualização correspondente a este estágio é a ideologia e que a perversão da mesma é o totalismo, traduzindo-se a primeira pela solidariedade de convicção e a segunda na preocupação pelo que parece ser inquestionável.

 

6ª Idade: Intimidade Versus Isolamento

 

No concernente ao sexto estágio, que se refere à intimidade Versus Isolamento, há a dizer a título introdutório que

 

«[…] os jovens adultos estão preparados e dispostos a unir a sua identidade a outras pessoas. Eles buscam relacionamentos de intimidade, parceria e associação, e estão preparados para desenvolver as forças necessárias para cumprir esses cumprimentos, ainda que para isso tenham de fazer sacrifícios». (Calvin S. Hall; Gardner Lindzey; John B. Campbell, 2000: p.174)

 

 Em grosso modo pode-se afirmar que esta idade ocorre dos 18/20 aos 30 e tal anos, e na qual o jovem almeja estabelecer relações de intimidade com os outros e adquirir a capacidade necessária para o amor íntimo.

Este estágio caracteriza-se pelo facto de pela primeira vez o indivíduo poder desfrutar de uma genitalidade sexual verdadeira, mutuamente com o alvo do seu amor. Tal situação deve-se à realidade de que o indivíduo nos estágios anteriores limitava-se à demanda da identidade sexual e a um anseio por intimidades efémeras. É então a idade de jovem adulto que, com uma identidade assumida, possibilita o estabelecer de relações de intimidade com os outros, em que o amor é a virtude dominante do universo, pois apesar de estar presente nos estágios anteriores, neste ganha nova textura. A força do ego depende do parceiro com que está preparado para compartilhar situações tão peculiares como a criação de um filho, a título exemplificativo.

Os indivíduos encaram a tarefa desenvolvimental de construir relações com os outros numa comunicação profunda expressa no amor e nas relações de amizade.

A vertente negativa traduz-se no isolamento de quem não consegue partilhar afectos com intimidade nas relações privilegiadas. «O perigo do estágio da intimidade é o isolamento, a evitação dos relacionamentos, quando a pessoa não está disposta a comprometer-se com a intimidade». (Calvin S. Hall; Gardner Lindzey; John B. Campbell, 2000: p.174) Ainda na óptica destes autores um senso temporário de isolamento é uma vantagem para a realização de escolhas, todavia, isso pode culminar em graves problemas de personalidade.

No tocante a este sexto estágios referimos para concluir, que à luz dos eruditos contemporâneos Calvin S. Hall, Gardner Lindzey, John B. Campbell, (2000: p.174)

 

«A ritualização correspondente desse estágio é a associativa, isto é, um compartilhar conjunto de trabalho, amizade e amor. O ritualismo correspondente, o elitismo, expressa-se pela formação de grupos exclusivos que são uma forma de narcisismo comunal»

 

7ª Idade: Generatividade Versus Estagnação

 

É um dos mais extensos estágios psicossociais e resume-se no conflito entre educar, cuidar do futuro, criar e preocupar-se exclusivamente com os seus interesses e necessidades. Usualmente dá-se desde os 30 aos 60 anos, não havendo porem uma idade comum a todas as pessoas. (Luís Rodrigues, 2001:p.283) A questão – chave na 7ª idade pode formular-se de várias formas: «Serei bem sucedido na minha vida afectiva e profissional?»; «Produzirei algo com verdadeiro valor?»; «Conseguirei contribuir para melhorar a vida dos outros?».                A generatividade denota a possibilidade de se ser criativo e produtivo em diversas áreas da vida. Bem mais do que educar e criar os filhos representa uma preocupação com o contentamento das gerações seguintes, uma descentração e expansão do Ego empenhado em converter o mundo num lugar melhor para viver, como tal, a generatividade representa o desejo de realizar algo que nos sobreviva. (Luís Rodrigues, 2001:p.280)                                                                                             Se o desenvolvimento e descentração do Ego não ocorre, ou seja, se se dá o fracasso na expansão da generatividade, o indivíduo pode estagnar, preocupar-se quase unicamente com o seu bem-estar e a posse de bens materiais. O egocentrismo é para Erikson, sinónimo de ineficácia e de decadência vital precoce. O egocêntrico fecha-se nas suas ambições e pouco ou nada dá de si aos outros. (Luís Rodrigues, 2001: p.283) Para findar e segundo Calvin S. Hall, Gardner Lindzey, John B. Campbell, (2000: p.175)

 

«A ritualização deste estágio, que é a ritualização de paternidade/maternidade, produção, ensino, cura e assim por diante, papeis em que o adulto age como transmissor de valores ideais para os jovens. As distorções da ritualização geracional se expressam pelo ritualismo do autoritarismo. O autoritarismo é o confisco ou a usurpação da autoridade incompatível com o cuidado».

 

A virtude própria deste estágio é o cuidado, a inquietação com os outros, o querer fazer algo por alguém.

                                                 

8ª Idade: Integridade Versus Desespero

 

          A última idade do desenvolvimento psicossocial é marcada por um olhar retrospectivo, que faz com que, ao aproximarmo-nos do final vida sentamos a necessidade de aquilatar o que dela fizemos, revendo escolhas, realizações, opções e fracassos. (Luís Rodrigues, 2001: p.283) Nesta etapa da vida a questão que se coloca é «Teve a minha vida sentido ou falhei?». Esta última idade ocorre frequentemente a partir dos 60 anos.

Na duplicidade emocional «integridade versus desespero», a integridade indica que o indivíduo considera positivo o seu percurso vital, ou seja, toma consciência que a vida teve sentido e que foi feito o melhor possível dadas as circunstâncias e as suas capacidades. (Luís Rodrigues, 2001: p.280) Reconcilia-se com a mágoa e a angústia, e encara a existência como algo positivo. Segundo Erikson, «[...] o possuidor de integridade está preparado para defender a dignidade do seu próprio estilo de vida contra todas as ameaças físicas e económicas». (Erikson, Apud., Manuela Monteiro; Milice Ribeiro dos Santos, 1999: p.183)   

  Se o avaliamento da existência é negativa, se sentimos que desaproveitamos o nosso tempo e não concebemos quase nada, existe o desejo de retroceder, de readquirir as oportunidades perdidas, de reformular opções e escolhas. Ao conjecturar que é demasiado tarde, pode instalar-se o desgosto, a angústia, o pânico da morte. (Luís Rodrigues, 2001: p.283) A ritualização neste último estágio, pode ser chamada de integral. Ao tentar encontrar um ritualismo correspondente, Erikson sugere o sapientismo, «a tola pretensão de ser sábio». (Calvin S. Hall; Gardner Lindzey; John B. Campbell, 2000: p.175) A sabedoria é a virtude resultante da última fase da vida, a percepção de que não vivemos em vão, «A sabedoria, então, é a preocupação desprendida com a vida em si». (Erikson, Apud., Calvin S. Hall; Gardner Lindzey; John B. Campbell, 2000: p.175)

Após referenciadas as oito idades, não podemos deixar em claro a importância do Ego, assim como algumas críticas a Erikson, e diferenças entre este e Freud.

 

Ego

 

Freud e Anna Freud conceberam um conceito de ego defensivo, que foi modificado por Hartmann e outros para incluir funções adaptativas e integrativas.

Erikson atribuiu ao ego qualidades como confiança e esperança, autonomia e vontade, diligência e competência, identidade e fidelidade, intimidade e amor, generatividade e cuidado, e integridade (Calvin S. Hall; Gardner Lindzey; John B. Campbell, 2000: p.176), por serem valores universais, e os quais reúnem três esferas reciprocamente essenciais, o ciclo de vida do indivíduo, a estrutura social básica e a sequência de gerações.

Classifica-se como um ego criativo, por encontrar soluções criativas para os problemas que surgem em cada estágio, pois quando se sente ameaçado reage com um esforço renovado e não desiste, sendo os poderes de recuperação deste inerentes ao ego jovem. Opera independente do id e do superego.

Erikson concentrou a sua atenção na força potencial do ego. Sua concepção deste era socializada e histórica, pois além dos factores genéticos, fisiológicos e anatómicos, existam influências culturais e históricas.

Quanto às dimensões que a identidade do ego poderia ter, caracterizou quatro aspectos da realidade os quais a identidade deveria de estar ligada; a factualidade, um senso de realidade ou universalidade, a realidade e a sorte ou acaso.

A nova identidade de ego, pois as qualidades a este atribuídas ultrapassam a concepção psicanalítica prévia, criou uma nova imagem do mundo, em que ocorre progressivamente a superação da pseudo-espécie de identidade comum (que ajudou a causar discriminação, preconceito, crime, ódio, pobreza, guerra e escravidão).

 

Críticas e Controvérsias a Erik Erikson

 

          Ao longo do tempo têm sido feitas muitas pesquisas sobre as ideias e teorias de Erikson. Tem sido difícil provar e avaliar os objectivos das suas teorias.

           De acordo com Cole e Cole (1989), um dos métodos favoritos de Erikson para testar a sua teoria era o estudo biológico de cada caso, usando homens famosos como Martin Luther King e Mahatama Gandhi.

          Muitas perguntas foram levantadas por Erikson em relação à formação da identidade. Por exemplo, descobrir e compreender como é que os adultos, devido a mudanças na sua vida, desenvolvem diferentes experiências? E será possível para um indivíduo mudar durante toda a sua vida?

           Um outro aspecto da vida de Erikson é a sua concordância com as diferenças de personalidade de Freud entre os sexos e as bases biológicas que originavam a possessão ou a falta de um pénis.

          Erikson baseou a sua conclusão numa pesquisa que efectuou com meninos e meninas com idades compreendidas entre os 10 e 12 anos, observando-os a construir figuras com brinquedos e com blocos de madeira.

Os críticos da teoria de Erikson dizem que a sua teoria é mais aplicável a meninos do que a meninas.

( http://facultyweb.cortland.edu/~ANDERSMD/ERIK/crit.HTML)

 

Erikson versus Freud

 

          Erikson identificou o tributo de Freud para o entendimento do desenvolvimento, mas demarcou-se deste perspectivando o desenvolvimento de uma óptica não patológica. Apercebendo-se de que Freud persistiu excessivamente no domínio da sexualidade e das relações familiares. (Luís Rodrigues, 2001: p.273)

O que diferencia basicamente, a Teoria Psicanalítica Contemporânea de Erik Erikson da Teoria Psicanalítica Clássica de Sigmund Freud, é o facto de Erikson ter uma concepção mais englobante do desenvolvimento, essencialmente porque, o desenvolvimento abarca todo o ciclo de vida e não é assente em termos psicossexuais, mas sim em termos psicossociais. Isto porque o meio não é só a família mas agentes externos, tais como, o meio sócio-cultural, os grupos e as sociedades. Para Erikson o desenvolvimento tem de ser enquadrado na relatividade cultural.                                                                                                                        Outra das grandes disparidades entre eles é o facto, de Erikson ter como suporte da sua teoria, uma psicologia do Ego e não exactamente uma psicologia do Id. Como tal, e ao contrário de Freud, ressaltou que o ego não é um simples gestor, ao serviço dos impulsos do id. O ego, é uma energia positiva, e está envolvido num sistema de adaptação, ou seja, num melhor enquadramento da pessoa no mundo.       A questão da teoria freudiana «Como lidar com a ansiedade?» e a questão que se coloca na teoria de Erikson, é mais uma das diferenças entre estes dois autores, pois, a questão aplicada por Erikson, consiste na estruturação da identidade global e não unicamente psicossexual. Por isso e contrariamente a Freud, embora reconheça a importância dos primeiros anos de vida, o período que para lhe parece determinante e marcante é a adolescência.                                   Apesar das diferenças, ambos pretenderam descrever a forma como o ser humano pode auto – realizar-se, e lidar com os indeclináveis conflitos psíquicos que são uma ocasião de enriquecimento ou de desajustamento à vida. (Luís Rodrigues, 2001: p.281)

 

 

Conclusão

 

No termo deste trabalho é nos possível concluir que o autor foi beber à teoria freudiana a essência da sua abordagem psicossocial.

Erikson perspectivava o desenvolvimento tendo em conta aspectos de cariz biológico, individual e social.

A teoria psicossocial em análise enfatizava o conceito de identidade, a qual se forma no 5º estágio, e o de crise que sem possuir um sentido dramático está presente em todas as idades, sendo a forma como é resolvida determinante para resolver na vida futura os conflitos.

Com Erikson o conceito de Ego emerge com uma concepção ampliada, na qual assume novas dimensões, sendo considerado criativo devido à sua versatilidade para resolver os diferentes surgidos em cada estágio.

O panorama ocupado pela teoria eriksoniana despoletou por parte dos críticos várias reacções, os quais apologizavam que a mesma não tinha em igual linha de conta as raparigas, assim como, o facto de dar mais ênfase à infância do que a fase adulta.

Alguns atritos ressaltam à vista após uma comparação entre as teorias do autor nuclear do trabalho em causa e Freud, visto, a título exemplificativo, este patologizar demasiado o comportamento. Apesar das diferenças teóricas entre os autores, Erikson reconheceu a contribuição de Freud para a compreensão do desenvolvimento.

       Para findar resta dizer que o nosso trabalho pode ser consultado via on-line, no site teoriaspersonalidade.no.sapo.pt.

 

Bibliografia

 

*      DORON, Roland; PAROT, Françoise (2001) – Dicionário de psicologia. Trad. do gabinete de tradução da Climepsi Editores. 1ª ed. Lisboa: Climepsi Editores. ISBN 972-8449-70-4

 

*      HALL, Calvin S.; LINDZEY, Gardner; CAMPBELL, John B. (2000) – Teorias da Personalidade. Trad. Maria Adriana Veríssimo Veronese. 4ª ed. Porto Alegre: Artmed Editora. ISBN 85-7307-655-0 

 

*      MONTEIRO, Manuela; SANTOS, Milice (1999) – Psicologia. 1ª ed. Porto: Porto Editora. ISBN 972-0-42104-5

 

*      MONTEIRO, Manuela; SANTOS, Milice (2002) – Psicologia. 1ª e 2ª parte. 1ª ed. Lisboa: Porto Editora. ISBN 972-0-42107-x

 

*      RODRIGUES, Luís (2001) – Psicologia. 1º Volume. 2ª ed. Lisboa: Plátano Editora. ISBN 972-770-109-4

 

*      Universidade Presbiteriana Mackenzie www.agirweb.com.br/psic/amac/amac.html - 3/3/04, 20:11

 

*      Diciopédia 2004, Porto Editora

 

*      http://facultyweb.cortland.edu/~ANDERSMD/ERIK/crit.HTML