Biografia

 

 

*      Erik Erikson nasceu a 15 de Julho de 1902 em Frankfurt na Alemanha e morreu em Maio de 1994. 

 

*      Relacionou-se com a família Freud, especialmente com Anna Freud, com quem iniciou a psicanálise e o gosto pelo estudo da infância.

 

 

Teoria Psicossocial do Desenvolvimento

 

*      Especial importância ao período da adolescência, devido ao facto de ser a transição entre a infância e a idade adulta, em que se verificam acontecimentos relevantes para a personalidade adulta.

 

*    Princípio Epigenético, Cada estágio contribui para a formação da personalidade total, sendo por isso todos importantes mesmo depois de se os atravessar. Como cada criança tem um ritmo cronológico específico, não se deve atribuir uma duração exacta a cada estágio.

 

*      O núcleo de cada estágio é uma crise básica, que existe não só durante aquele estágio específico, nesse será então mais proeminente, mas também nos posteriores a nível de consequências, tendo também raízes prévias nos anteriores.

 

 

*      A formação da identidade inicia-se nos primeiros quatro estágios, o senso desta negociado na adolescência evolui e influencia os últimos três.

 

 

 

 

Esta teoria enuncia:

*      8 estágios/idades de desenvolvimento:

 

- Cada um comporta uma vertente positiva e uma negativa, uma virtude e uma ritualização (uma forma culturalmente padronizada de experienciar uma vivência na interacção com os outros), esta porém, quando se torna perversa,  transforma-se em ritualismo.

 

1ª Idade: Confiança versus Desconfiança

(aproximadamente dos 0-18 meses)

 

*    A criança vai aprender o que é ter ou não confiança, está muito relacionado com a relação entre o bebé e a mãe.

 

*        «A razão adequada de confiança e de desconfiança resulta na ascendência da esperança: “A esperança é a virtude inerente ao estado de estar vivo mais primitiva e a mais indispensável”» (Erikson, Apud., Calvin S. Hall; Gardner Lindzey; John B. Campbell, 2000, p.170).

 

À medida que o bebé vai adquirindo experiência, ele aprende que as esperanças que um dia eram prioridades, deixam de o ser, sendo superadas por outras de um nível mais elevado.

 

*      Ritualização da divindade, nas interacções pessoais e culturalmente ritualizadas, entre a mãe e o bebe.

 

A falta do reconhecimento pode trazer alienação na personalidade do bebé, um senso de abandono e separação.

 

*      Forma pervertida do ritual da divindade materna: idolismo (na vida adulta), em que a pessoa idolatra um herói.

 

 

 

2ª Idade: Autonomia versus Vergonha e Dúvida

          (aproximadamente dos 18meses-3anos)

 

*      Vertente Positiva: Autonomia, necessidade de auto-controle e de aceitação do controle por parte das outras pessoas.

 

*      Vontade: responsável pela aceitação progressiva do que é permitido e necessário, os elementos desta são progressivamente aumentados pelas experiências ao nível da consciência, manipulação, verbalização e locomoção.

 

*      Vertente Negativa: Vergonha e Dúvida quando perde o senso de auto-controle, os pais contribuem neste processo ao usarem a vergonha na repressão da teimosia.

 

*      Ritualização: Judicial criança julga-se a si e aos outros, diferenciando o certo do errado.

                    Forma-se:

                  Base ontogenética da alienação humana, a espécie dividida, que Erikson designou como pseudo-espécie, a origem do preconceito humano.

      Ritualismo: Legalismo (a punição vence a compaixão)

 

 

3ªIdade: Iniciativa versus Culpa

(aproximadamente dos 3-6 anos)

 

*      Vertente Positiva: Iniciativa, crescente capacidade de destreza e responsabilidade

 

*      Virtude: Propósito

 

«O propósito, então, é a coragem de imaginar e buscar metas valorizadas não - inibidas pela derrota das fantasias infantis, pela culpa e pelo medo cortante da punição» (Erikson, Apud Calvin S. Hall; Gardner Lindzey; John B. Campbell, 2000: p.172)

 

*      Vertente Negativa: Culpa, busca demasiado entusiasta das metas

         

*      Ritualização: Dramática, em que a criança participa activamente de dramatizações; usa figurinos, imitando personalidades adultas.

     Ritualismo: Personificação, por toda a vida. O adulto desempenha papéis a fim de apresentar uma imagem que não representa a sua verdadeira personalidade.

 

 

4ª Idade: Diligência versus Inferioridade

(aproximadamente dos 6-12 anos)

 

*      Vertente positiva: Diligência, dedicação à educação formal.

 

*      Virtude: Competência, obtida quando nos dedicamos ao trabalho e concluímos tarefas, o que nos traz habilidade.

 

    «A competência, então, é o livre exercício da destreza e da inteligência na conclusão de tarefas, não-prejudicado pela inferioridade infantil»(Erikson, Apud., Calvin S. Hall; Gardner Lindzey; John B. Campbell, 2000: p.172)

 

*      Vertente Negativa: Inferioridade, aplicação de responsabilidades, para evitar esses sentimentos.

 

*      Ritualização: Formal, a criança aprende a ter um desempenho metódico, que proporcionam à criança um senso global de qualidade que inclui habilidade e perfeição.

 

*       Ritualismo: Formalismo, consiste na repetição de formalidades sem significado e em rituais vazios.

5ª Idade: Identidade Versus Confusão/Difusão

 

*      Esta 5ª idade localiza-se usual e aproximadamente dos 12 aos 18/20 anos, ou seja, na adolescência, puberdade, precisamente na idade em que na vertente positiva, o adolescente vai adquirir uma identidade psicossocial, isto é, compreende a sua singularidade, o seu papel no mundo.

 

*      Tendo em conta que as fases anteriores deixam marcas que vão influenciar a forma como se vivência esta crise, o adolescente vai perceber-se numa perspectiva histórica integrando elementos identitários adquiridos nas idades anteriores.

 

*      «O agente interno activador na formação da identidade é o Ego, em seus aspectos conscientes e inconscientes». O qual neste estágio tem a peculiaridade de apurar e inteirar talentos, aptidões e habilidades na identificação com pessoas semelhantes a nós e na acomodação ao ambiente social»

 

*      O adolescente vai adquirir uma identidade psicossocial, isto é, compreende a sua singularidade, o seu papel no mundo. Dá-se a construção da identidade, o sentimento da identidade, o qual é conforme Erikson «[…] o sentimento de ser o mesmo ao longo da vida, atravessando mudanças pessoais e ocorrências diversas».

 

*      Moratória psicossocial :«Esta moratória é um compasso de espera nos compromissos adultos. É um período de pausa necessária a muitos jovens, de procura de alternativas e de experimentação de papéis, que vai permitir um trabalho de elaboração interna»; A sociedade permite ao adolescente espaço de experimentação, no qual ele explora e ensaia vários estatutos e papéis sociais.

 

*      Identidade Difusa: uma noção do eu incoerente, desarticulada e incompleta

*      Identidade bloqueada: não permissão (existe um bloqueio) do período normal de moratória por questões sociais, familiares e/ou pessoais.

*      Identidade negativa: «O adolescente selecciona identidades que são indesejáveis para a família e sua comunidade».

 

*      Nesta idade emergem um conjunto particular de valores a que Erikson denominou por fidelidade: «A fidelidade é a capacidade de manter lealdades livremente empenhadas, apesar das inevitáveis contradições dos sistemas de valor»; fidelidade é assim a grande virtude adquirida nesta idade e pode-se traduzir na fidelidade aos investimentos, ideais e compromissos.

*      Ritualização: Ideologia -> solidariedade de convicção que incorpora ritualizações de estágios de vida prévios em um conjunto coerente de ideias e ideais.

Perversão da ritualização: Totalismo -> preocupação fanática e exclusiva com o que parece ser inquestionavelmente certo ou ideal.

 

 

6ª Idade: Intimidade Versus Isolamento

 

*      Pode-se afirmar que esta idade ocorre dos 18/20 aos 30 e tal anos, e na qual o jovem almeja estabelecer relações de intimidade com os outros e adquirir a capacidade necessária para o amor íntimo, ainda que para isso tenham de fazer sacrifícios. (o amor é a virtude dominante do universo)

 

*      Pela primeira vez o indivíduo poder desfrutar de uma genitalidade sexual verdadeira, mutuamente com o alvo do seu amor.

*      Os indivíduos encaram a tarefa desenvolvimental de construir relações com os outros numa comunicação profunda expressa no amor e nas relações de amizade.

 

*      Neste estágio relativamente ao Ego pode-se afirmar que a força deste depende do parceiro com que se está preparado para compartilhar situações tão peculiares como a criação de um filho, a título exemplificativo.

 

*      A vertente negativa traduz-se no isolamento de quem não consegue partilhar afectos com intimidade nas relações privilegiadas. «O perigo do estágio da intimidade é o isolamento, a evitação dos relacionamentos, quando a pessoa não está disposta a comprometer-se com a intimidade»

 

*      «A ritualização correspondente desse estágio é a associativa, isto é, um compartilhar conjunto de trabalho, amizade e amor. O ritualismo correspondente, o elitismo, expressa-se pela formação de grupos exclusivos que são uma forma de narcisismo comunal».

 

 

7ª Idade: Generatividade versus Estagnação

 

A mais longa das idades psicossociais, vai normalmente dos 30 aos 60 anos e consiste no conflito entre produzir, educar, cuidar do futuro e preocupar-se unicamente com as suas necessidades e interesses.                

                            

*      A vertente positiva é a Generatividade que traduz o desejo de criar novas vidas, obras de arte, ideias, objectos, educar, ensinar, ou seja, o desejo de realizar algo que nos sobreviva e que contribua para o bem-estar das gerações futuras. O indivíduo generativo projecta-se no futuro não se preocupando somente consigo ou com os seus.

 

*      A virtude que se desenvolve neste estágio é o Cuidado, que se expressa pela preocupação com os outros, o querer cuidar das pessoas e compartilhar com elas o seu conhecimento e experiências.

 

 

*      O fracasso neste estágio, conduz à Estagnação, à incapacidade de projecção no futuro, isto acontece porque, o indivíduo torna-se egocêntrico, fecha-se nas suas próprias ambições dando pouco ou nada de si aos outros.

 

*      A ritualização é denominada por Geracional e consiste na ritualização da maternidade/ paternidade, produção, ensino e papeis em que o adulto age como transmissor de valores para os mais novos.

 

*      Ritualismo perverso: Autoritarismo é a usurpação da autoridade incompatível com o cuidado.

 

 

8ª Idade: Integridade versus Desespero

 

        O último estágio que acontece normalmente a partir dos 60 anos, consiste numa retrospectiva da vida ao aproximarmo-nos do seu fim, em que revemos escolhas, opções, realizações e fracassos.

 

*      A vertente positiva, é a Integridade que advém do sentimento de que a vida teve sentido, há satisfação por termos vivido como vivemos, reconciliamo-nos com o sofrimento e a dor e aceitamos a existência como algo valioso.

 

*      A Sabedoria é a virtude resultante do encontro da integridade com o desespero, e consiste na consciencialização das nossas potencialidades dadas as circunstâncias, e a constatação de que não vivemos em vão. Segundo Erikson a sabedoria é «[...] a preocupação desprendida com a vida em si, diante da morte em si».

 

*      O Desespero é a avaliação negativa do que fizemos, e a tomada de consciência de que já não se pode recomeçar, que desperdiçamos o nosso tempo e que quase nada de valioso criamos, instalando-se a angústia e o medo da morte.

 

 

*      A ritualização presente neste último estágio pode ser chamada de Integral, que se reflecte na sabedoria das idades.

 

*      Ritualismo perverso: Sapientismo,“ a tola pretensão de ser sábio”

 

Ego

 

*      Ego Criativo: soluções criativas para os problemas que surgem em cada estágio. Pois quando se sente ameaçado reage com um esforço renovado e não desiste, sendo os poderes de recuperação deste inerentes ao ego jovem. Opera independente do id e do superego.

 

 

*      Qualidades: confiança e esperança, autonomia e vontade, diligência e competência, identidade e fidelidade, intimidade e amor, generatividade e cuidado, e integridade. Por serem valores universais, e os quais reúnem três esferas reciprocamente essenciais, o ciclo de vida do indivíduo, a estrutura social básica e a sequência de gerações.

 

*      Nova identidade de Ego: pois as qualidades que são a este atribuídas ultrapassam a concepção psicanalítica prévia.

 

 

 

 

Críticas e Controvérsias

 

                                                                                      

*       Um dos métodos favoritos de Erikson para testar a sua teoria era o estudo biológico de cada caso, usando homens famosos como Martin Luther e Mahatama Gandhi.

 

 

*      Críticos à sua teoria dizem que esta é mais aplicável a meninos do que a meninas.

 

 

 

 

 

ERIKSON versus FREUD

 

Existem algumas diferenças entre a teoria de Erikson e a de Freud, entre elas destacam-se:

 

*      O facto de Erikson ter uma concepção mais englobante do desenvolvimento, pois, a sua teoria abrange todo o ciclo de vida e o desenvolvimento tem em conta o meio sociocultural, grupos e comunidades, ou seja, o meio não é entendido somente pela família, tem em conta a construção da identidade global e não somente psicossexual, embora haja o reconhecimento da importância dos primeiros anos, o período marcante da teoria psicossocial do desenvolvimento é a adolescência.

 

 

*      Erikson ao contrário de Freud tem na sua base teórica uma psicologia do Ego e não do Id. O Ego segundo Erikson está envolvido num processo de adaptação, de melhor enquadramento da pessoa no mundo, existe já à nascença dotado da sua própria fonte de energia e separado do Id;

 

 

*      Não podemos esquecer que apesar das diferenças ambos procuraram definir a forma como o ser humano pode auto – realizar-se e lidar com os conflitos psíquicos.